Esta é a home page do programa Aldeia Global, espaço dedicado à divulgação da música de todos os povos do mundo!
Este aqui é o lugar certo para quem quer saber o que se ouve nas longínquas estepes da Mongólia, ou nas periferias da África do Sul... Ou, quem sabe até mesmo para quem quer ouvir as vozes mais lindas do continente asiático, africano ou europeu. Amigo, você achou o lugar certo! Esta aqui é a casa de todos os povos do planeta!
Na condução está Marcelo Vieira, um curioso pelas culturas exóticas, fascinado pelo diferente, e amante da cultura grega, entre outras coisas.
Junte-se a ele nesta viagem!![]()

Marcelo Vieira está à frente do Aldeia Global desde o ano de 2007
A lenda chamada Tinariwen chegou no Ocidente totalmente formada nos bastidores do primeiro Festival no Deserto, em 2001. Naquela época, o Tinariwen aparecia como uma banda convidada para o festival de música mais isolado do mundo. Como parte da tribo nômade tuaregue, que vagava pelo interior do Deserto do Saara, eles tocavam em festas e outros eventos, bem como gravavam fitas que foram passadas de mão em mão, como uma maneira de unir o povo.
Formada em 1985 durante o treinamento em campos militares na Líbia, os membros do Tinariwen eram também soldados rebeldes, que lutaram na rebelião tuaregue que abalou o Mali e o Níger entre 1990 e 1996 (embora um acordo de paz tinha sido assinado em 1994), resistindo aos soldados e às políticas repressivas de governos que eram muito distantes das vidas cotidianas desses nômades do deserto.
Os músicos ficaram felizes em largar as suas metralhadoras e mais uma vez dedicarem-se à música em tempo integral. No entanto, quando a PA do festival foi sequestrada a caminho do local durante uma viagem de dois dias pela areia, o líder do Tinariwen, Kheddou, rastreou o equipemento, lembrando aos piratas do deserto durante uma "discussão" de duas horas que sabia quem eles eram, quem suas famílias eram, e quem eram seus companheiros de tribo. Não foi apenas uma ameaça, mas um fato da vida e a lei das coisas no Saara.
Esta notável história é apenas reforçada pelo fato de que o Tinariwen cria uma persuasiva marca de música com base em guitarras e percussão que soa como uma distorção perdida do blues canalizada através do ar do fim de noite do deserto e das fogueiras. O Mali é um país de grandes guitarristas, sendo que o internacionalmente famoso Ali Farka Toure é apenas um de muitos, mas o som tuaregue destaca-se como o mais enérgico subgênero do país.
As instigantes guitarras de três ou quatro guitarristas fluem quando emparelhadas com as palmas e tambores de pele de animal. Os vocais de chamada e resposta (call and response) cantados em tamashek são pontuadas por lamentos do deserto onde temas como o amor, tradições que se acabam, amigos perdidos, e o poderoso deserto em si mesmo são comemorados.
É um som que capturou a imaginação de músicos como Carlos Santana e Robert Plant (ambos fizeram uma jam session com o Tinariwen), o guitarrista da Strange Sensation, Justin Adams (que produziu o primeiro álbum do Tinariwen em uma estação de rádio local em meio a apagões), Elvis Costello, e outros que foram ao festival do deserto. Logo o som da banda alcançou fãs com bons ouvidos, mas não necessariamente um interesse permanente pela world music. O Tinariwen logo chegou à Europa e aos EUA, tocando para multidões que podem ser encontrados com mais freqüência indo a um show do Radiohead ou do Thievery Corporation.
Com todas estas oportunidades já acontecendo, não é nenhuma surpresa que a banda abandonou o pequeno mas influente selo World Village, para o qual gravou quatro álbuns, e mudou-se para o bem maior Anti-records. Lar de Tom Waits, Nick Cave, e Wilco, lendas do soul como Booker T. e Mavis Staples, assim como outros artistas, o selo parece ser o veículo perfeito para levar a banda para um público ainda maior quando o álbum Tassili sair em 30 de agosto.
Dada a história dos membros da banda, é fácil esquecer que estes músicos são artistas tentando dizer alguma coisa, tanto sobre si mesmos como sobre seu povo. Agora eles costumam viajar de avião, em vez de camelos, e isso significa que influências externas (ou músicos), inevitavelmente, entram sorrateiramente na música deles, mesmo quando há um esforço de voltar às raízes como no caso deste álbum.
No álbum Tassili, o Tinariwen junta-se ao guitarrista da banda TV on the Radio, Kyp Malone, e ao vocalista Tunde Adebimpe, que se ligou à banda quando eles tocaram em Coachella em 2009. A banda Dirty Dozen Brass trouxe trompetes para algumas músicas e o guitarrista principal da banda Wilco, Nels Cline, também contribuiu na pós-produção.
Enquanto os esforços passados parecem como o elo perdido entre a guitarra do álbum Television e a energia visceral de John Lee Hooker, o quinto álbum da banda, Tassili, tem um som de violão mais apurado. Talvez dando as costas para o conceito de roqueiros do deserto, esta abordagem mais voltada às raízes oferece um som mais em sintonia com o ambiente da banda - mais do que a maioria das bandas, esta banda é inspirada no seu ambiente, na maioria das vezes celebrando os laços entre o povo tuaregue e a vida no deserto - em uma parte isolada, mas segura, da Argélia. Isso fez com que fosse possível tocar em volta da fogueira entre a areia e as estrelas com uma equipe de produção e os convidados da banda TV on the Radio.
Assim como o blues acústico não fica nada a dever ao impacto visceral de sua contraparte elétrica, a música do Tinariwen não perde nada de sua intensidade aqui. O clima é suave, mas não é particularmente triste. Os destaques incluem a relativamente complexa e vibrante "Tenere Taqqim Tossam" com Adebimpe acrescentando vocais de apoio de bom gosto, e a lenta e emocionante "Walla Illa". O violão solo em "Tameyawt" tem o mesmo tipo de floreio do flamenco, mas sem perder nenhum dos seus grãos do deserto.
Agora a banda está voltando aos EUA, dando início a uma turnê de um mês em Chicago, no dia 7 de julho, para dar outra volta de vitória onde eles sempre tocam em festivais e clubes de grande porte, trazendo um dos seus melhores e mais esperados discos. Vamos esperar que eles já tenham embalado suas guitarras acústicas, porque a magia do feitiço deste álbum só vai aumentar quando ele for visto e ouvido.
Revisão por Tad Hendricks
Afropop Worldwide é
uma produção semanal de Georges Collinet com destaque para a música africana.
Dentre os programas BBC voltados à World Music, este é de longe o melhor. A apresentação semanal fica a cargo de Lopa Kothari.
Conheça o programa Mapa Mundi, uma produção da Rádio Cultura FM voltada para a música étnica de todo o mundo.
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