Mariza volta às suas raízes com um álbum que é ao mesmo tempo bravamente esparso e, em apenas 35 minutos de duração, misteriosamente breve.
Nos últimos 10 anos, ela transformou o fado, trazendo o tradicional "blues Português" a um público internacional, e neste meio-tempo ampliou a sua gama musical. Em seu último álbum, Terra, ela misturou o fado com flamenco, morna cabo-verdiana e jazz brasileiro, e foi acompanhada por trompete e piano, enquanto que no seu live set, Concerto Em Lisboa, ela fez vasto uso das cordas. Desta vez, é muito diferente, pois há apenas um trio de violões acústicos para acomapnhar seu canto poderoso e apaixonado. Não há nada de errado nisso - essa foi a formação que ela usou quando fez sua dramática estreia em Londres pouco mais de oito anos - mas este conjunto peca inesperadamente pela falta de variedade, apesar das mudanças no ritmo.
Ela concentra-se no fado tradicional, o que significa que as melodias são tradicionais, embora novas letras podem ser adicionadas, e há algumas ótimas músicas aqui, desde a dolorosa "Mais Uma Lua" até a alegre "Dona Rosa" e - a melhor de todas - a angustiada "Ai, Esta Pena de Mim", em parte cantada sem acompanhamento.
É um conjunto impressionante, mas o fado diz respeito à emoção, e as eventuais canções intimistas teriam sido bem-vindas entre as suas dramáticas e declamatórias reapresentações destas melodias de longa data.
Revisão por Robin Danselow (The Guardian)