A nossa viagem agora é em direção à Rússia, país que tem uma história musical bastante vasta. Só para que lembrem, a Rússia revelou ao mundo gênios da música como Tchaikovsky e Igor Stravinsky. E mais recentemente, as menininhas da banda t.A.T.u. Então, essa já é uma garantia de que vocês têm só a ganhar ficando aí grudadinho no pé do rádio, ou na frente do computador... Seja qual for o seu caso, garanto que vão gostar do programa de hoje, que mescla um pouco da música tradicional russa com sons mais populares.
Um destaques desta edição é a balalaika, também chamada de balabaika, o instrumento nacional da Rússia, símbolo não só da música, mas do país como um todo. Tanto isso é verdade que até aqui no Brasil existe uma vodka, que, aliás, é outro símbolo da Rússia, que se chama Balalaika, e inclusive traz no rótulo o desenho do instrumento.
Para quem não faz a mínima ideia do que eu estou falando, vou tentar descrever.
A balalaika tem um formato muito peculiar. A caixa de ressonância é triangular, ou, como alguns dizem, tem formato de pirâmide. Ninguém sabe exatamente o porquê da forma tão diferente. Alguns, como o escritor Nikolai Gogol, dizem que é porque ela foi moldada com uma abóbora cortada no meio, outros, que foi feita por barqueiros, que fizeram o instrumento parecido com a frente de um barco, outros que os três lados fazem referência à Santa Trindade... Além de três lados, ela tem também três cordas, ou três pares de cordas, como a que pode ser encontrada na Ucrânia, afinadas em Mi, Mi e Lá... duas cordas com a mesmíssima afinação. E o mais interessante de tudo: pode ser achada em diversos tamanhos, desde a balalaika piccolo (menorzinha e mais rara), passando pela prima, que é a mais usada, a sekunda, a alto, que tem 4 cordas, a balalaika baixo e a balalaika contra-baixo, que é um monstrão que dá um som bem grave e tem que ser tocada em pé, e com um plectro todo especial, tamanho gigante também.
Mas o mais legal de tudo é que, apesar de ser o símbolo da música russa, a balalaika é um instrumento relativamente novo. Enquanto alguns instrumentos são usados ali desde a antiguidade, a balalaika só apareceu no final da Rússia czarista no século XIX. Naquela época ela era tocada pelos skomorokhi, cantores sátiros odiados pelo czar e pela Igreja Ortodoxa. Portanto, ficou como um instrumento banido por muito tempo. Com o passar das décadas foram surgindo verdadeiras orquestras dedicadas ao instrumento, das quais muitas existem hoje na Rússia, e também fora dela.
Playlist da semana:
1 Fabryka_Dyvushky Fabrishniye
2 Mikhail Smirnov and Ensemble Barynya_Korobushka
3 Coral do Exército Vermelho_Kalinka
4 Zhanna Bichevskaya_Lioba, bratsy, lioba
5 Palageya_Rogdestvenskaya
Vídeos:
Fabryka (Dyvushky Fabrishniye)*
Mikhail Smirnov e Orquestra Barynya, ao vivo em Lakeside, Ohio (Korobushka) **
* atenção para as meninas tocando balalaika
** atenção para a enorme balalaika contra-baixo
Ouçam o programa: